NR-1 & Ambiência

546 mil afastamentos por saúde mental: o que isso diz sobre a sua operação

Por Juliana Alcântara·3 de nov de 2026·3 min de leitura
546 mil afastamentos por saúde mental: o que isso diz sobre a sua operação

Os dados oficiais do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, foram concedidos 546.254 benefícios por incapacidade temporária ligados a transtornos mentais e comportamentais. É um recorde da série e um crescimento de cerca de 15% sobre 2024, quando o número ficou em torno de 472 mil.

Dentro desse total, os transtornos ansiosos somaram 166.489 concessões e os episódios depressivos, 126.608. Um levantamento feito com base nos dados abertos do INSS indica ainda que a fatia da saúde mental entre os auxílios-doença subiu de 6,3% em 2019 para 9,4% em 2025.

O afastamento é a ponta final do adoecimento. Antes dele vêm meses de presença com desempenho reduzido.

Por que isso chega ao seu comercial

Time de vendas é, por natureza, uma área de alta exposição: meta mensal, ranking, dependência de resultado variável, relacionamento com clientes difíceis. Isso não é um defeito do modelo, é o desenho dele. Mas desenho pede gestão.

Quando um vendedor se afasta, o custo não é só o do benefício. É carteira sem cobertura, pipeline que esfria, cliente que muda de interlocutor, gestor sobrecarregado cobrindo a vaga e o restante da equipe absorvendo mais demanda. No regime CLT, os primeiros 15 dias de afastamento são pagos pela empresa. Depois disso, o INSS assume o benefício, mas a operação continua com o buraco.

Três perguntas para fazer esta semana

  • Qual é o nosso absenteísmo comercial comparado ao resto da empresa? Se a área de vendas tem mais faltas, atestados ou rotatividade, esse é um sinal que merece investigação.
  • As metas são desenhadas com base em capacidade real? Meta que ignora capacidade transfere o risco para a pessoa.
  • Os gestores sabem conduzir uma conversa sobre sobrecarga? Muitos nunca foram treinados para isso, e o assunto fica sem tratamento até virar atestado.

O que os dados não dizem

Vale uma ressalva honesta. Os números do INSS captam apenas afastamentos formalizados. Não dizem quanto do aumento vem de adoecimento real, quanto de maior diagnóstico e menor estigma, e quanto de melhor registro. Provavelmente é uma combinação. O que os dados permitem afirmar é que o problema é grande, crescente e já tem reflexo previdenciário e regulatório.

Para o gestor, a pergunta útil não é "por que as pessoas estão mais frágeis?". É "o que no desenho do nosso trabalho precisa mudar?". E isso é exatamente o que a atualização da NR-1 passou a exigir que as empresas se perguntem.

Fontes

  • Ministério da Previdência Social: dados de benefícios por incapacidade temporária (2024 e 2025), divulgados pela imprensa.
  • Levantamento do VIVA com base nos dados abertos do INSS (2019 a 2025).

Quer transformar isso em resultado?

Esse é o tipo de trabalho que conduzo na mentoria e nos treinamentos. Vamos conversar sobre o seu momento.